A pesquisa acerca de atividade física e exercício tem sido dominada por paradigmas tradicionais de racionalidade cognitiva utilizados em outros domínios.

Embora essa abordagem do comportamento de atividade física tenha aprimorado muito nossa compreensão dos fatores e indicadores chave, ela fez pouco para erradicar os problemas de saúde que enfrentamos atualmente.

No entanto, para alcançar uma mudança duradoura, as intervenções em vários níveis parecem ser o mais eficaz . Perspectivas sistêmicas têm sido propostas como uma abordagem eficaz no combate aos atuais níveis de inatividade física. E é nesse contexto extremamente desafiador que surge a questão: Como será a academia do futuro?

O modelo atual fracassou.

Não é necessário uma análise de dados muito profunda para perceber que os altos níveis de sedentarismo não são impactados  de maneira significativa com o  crescimento do número de academias e profissionais desse ecossistema. O que se observa é aumento do mix, e a melhora da qualidade do serviço para atender a demanda de um nicho da população que já está estabelecido.

O modelo convencional de academia já estava presente na primeira unidade da Fórmula Academia criada por Ricardo D'Elia no início dos anos 90. Layout de sala e serviço que se repete até hoje na maior parte das academias.

Temos uma prateleira de serviços muito maior e melhor do que a 30, 20 ou até mesmo 10 anos atrás, mas proporcionalmente a demanda por esses serviços cresceu de forma muito tímida.

Nesse contexto, players atuais e novos entrantes tem no Take Rate  o melhor indicador para determinar não só a  viabilidade, mas o quanto seu modelo é sustentável no lono prazo.

Exercício como hábito.

Nós, como sociedade até o presente momento, falhamos em desenvolver o exercício como hábito largamente difundido em nossa cultura. Na verdade estamos caminhando no sentido oposto. Cada vez mais a atividade física e o exercício são excluídos do dia-a-dia dos nossos jovens e crianças principalmente, o que cria um terreno fértil para uma população sedentária,  e por consequência direta disso, doente.

Manter um nível adequado de proficiência das principais qualidades físicas como resistência, força, mobilidade e flexibilidade de crianças e jovens deveria estar na agenda de pais, escolas e profissionais de saúde de todo tipo, mas não está.

Como todo comportamento, o movimento se torna hábito mais facilmente quando desenvolvido desde cedo.

"Reprogramar" 80% de nossa população que não tem os níveis desejáveis de "consumo"de movimento na sua rotina não é um desafio simples, mas com as ferramentas que temos hoje isso é totalmente factível. Desde que tenhamos a consciência de que esse ganho exponencial só será possível através de pequenos ganhos incrementais.

Lugares inesperados

A rotina de ir a academia para poder se exercitar já estava em rápida transformação nos últimos com o aparecimento de novos modelos de negócio como academias low-cost, academias boutique e boxes de crossfit e treinamento funcional, mas os acontecimento dos últimos 12 meses aceleraram ainda mais o processo de mudança de comportamento do consumidor, que agora entende que ter múltiplas alternativas de academias a sua disposição é desejável, mas o treinamento outdoor e o hábito de treinar em casa já fazem parte da sua rotina e impactaram de maneira permanente esse cenário.

Primeira unidade da Core Training Zone em construção em São Paulo.

Todos os players desse mercado terão de se adaptar a um consumidor que deseja treinar onde e quando ele quiser, e busca em qualquer uma dessas situações uma experiência superior de treinamento. 

Tem de ser divertido e social.

A fusão de fitness com entretenimento parece ser, de fato, um dos maiores vetores de engajamento de indivíduos com baixos níveis de atividade física ou sedentários, em programas de exercícios físicos. Além disso, a criação de comunidades e tribos fortalece a manutenção desses hábitos. Sob esse prisma os pontos fortes de modelos como o da Zumba e do Crossfit parecem ter muito mais semelhança do que diferenças.

Se suas sessões de treino não terminam com um sorriso no rosto e uma sensação de bem-estar, isso não é sustentável no longo prazo.

Mais que fitness

O conceito de exercício como remédio é amplamente divulgado e conhecido, mas de fato pouco aplicado. Doenças crônicas não transmissíveis são a principal causa de mortalidade na maioria dos países do mundo e no Brasil. Hipertensão, diabete e obesidade são as mais comuns. Embora multifatorial, a razão principal de tanta gente desenvolver essas doenças é a inatividade física, ou seja , o sedentarismo.

Nossa primeira interação com o SESC SP em 2005 para levar um programa de Treinamento Funcional para prevenir quedas de idosos.

Se a prevenção fosse de fato uma preocupação, o profissional de educação física  e a prática regular de exercício deveria estar na ordem do dia, principalmente no meio de uma crise de saúde pública, mas como em tudo na vida, grandes desafios geram grandes oportunidades.

Tecnologia quebrando barreiras.

A metade cheia desse copo é que hoje temos todas as ferramentas não só para engajar esses indivíduos, mas também para entregar resultados superiores.. Dos aplicativos de treinamento, aos gadgets e wearables, passando pelas redes sociais nunca foi tão fácil conectar alunos e professores, criar comunidades, influenciar pessoas e medir seus resultados.

Novas plataforma como o CORE 360º PRO conectam consumidores de exercício, não somente mudando a forma, mas ampliando ao alcance de profissionais e marcas.

O meu grande ponto é que essa rede de soluções não é facilmente navegada por aqueles que ainda não abraçaram esses estilo de vida, e todos os bons casos de estudo nos mostram que é a interação com o influenciador, e nesse caso quem influencia mais positivamente é o profissional de educação física, que gera resultados sustentáveis.

 

Uma abordagem mais ampla.

Olhando para o horizonte, as paredes da academia já foram quebradas, e o próximo passo é saber quem assumirá as próximas posições de protagonismo nesse ecossistema. No momento, a foto é de desenvolvimento exponencial de novas tecnologias, e a exponencialização do sedentarismo  em todo o mundo. Abraçar as novas tecnologias, e não brigar ou tentar concorrer com elas, é o único caminho que na minha visão faz sentido, mas para que os profissionais de saúde possam surfar essa nova onda eles precisam primeiro de uma mudança de modelo mental em 180º e a partir dela mudar os ítens da sua "caixa de ferramentas". Dentre as várias lições desses novos tempos, uma grande foi a importância que se dá hoje a qualidade de vida e a saúde. Cabe a nós transformar esses desejos em ações, e para isso empoderar o profissional de educação física com conhecimento e as "armas" certas para que ele possa ser o agente de transformação desse cenário, e assim começar a mudar a vida das pessoas através do movimento. Áreas como qualidade de sono, nutrição, hidratação e performance cognitiva devem obrigatoriamente ser integradas neste processo de melhora da performance humana.

O novo HUB do exercício já é um dispositivo mobile, não mais a academia.

Uma nova abordagem, mas como Albert Einstein disse brilhantemente: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.